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Conheça restaurantes comandados por ex-participantes do MasterChef Brasil

 

De receitas desenvolvidas durante o reality a cardápios inspirados em diferentes tradições gastronômicas, restaurantes comandados por ex-participantes do MasterChef oferecem ao público a oportunidade de conhecer o trabalho dos cozinheiros fora da televisão

 

Martin Casilli, participante do MasterChef em 2014 e proprietário do Grupo Sky Hall. | Foto: Instagram Martin Casilli

 

A participação em um reality culinário pode ser o começo de uma trajetória profissional. No caso de ex-participantes do MasterChef Brasil, a experiência na televisão abriu caminhos diferentes, que incluem a criação de restaurantes, o desenvolvimento de cardápios autorais e a exploração de referências gastronômicas diversas. 

Para o consumidor, visitar esses estabelecimentos é uma oportunidade de conhecer as ideias, as técnicas e as influências culinárias de profissionais que ficaram conhecidos na televisão. As propostas variam de acordo com cada negócio, com opções para quem procura pratos elaborados, receitas tradicionais reinterpretadas ou refeições centradas em ingredientes específicos. 

Um desses nomes é Martin Casilli, participante da primeira edição do MasterChef Brasil, em 2014. Na época, ele cursava Engenharia e encarava a cozinha como um hobby. Hoje, é proprietário do Grupo Sky Hall, em São Paulo, que reúne três unidades: Terrace, Garden e Park, com propostas que incluem restaurante, eventos corporativos e atendimento ao público no dia a dia. 

 

Da participação no reality à atuação profissional 

A experiência no programa foi um divisor de águas para Casilli, que tinha 20 anos quando participou da competição. Até então, preparava pratos para amigos e pessoas próximas, sem trabalhar profissionalmente em restaurantes. 

Depois do reality, decidiu estudar Gastronomia na Universidade Anhembi Morumbi para aprofundar os conhecimentos técnicos e compreender melhor o funcionamento do setor. “O MasterChef mudou completamente a minha visão, porque até então eu era só da parte de Engenharia. O programa mudou muito a minha vida como cozinheiro", conta Martin. 

A formação veio antes da abertura do Sky Hall. Desde então, a atuação de Casilli passou a combinar criação de pratos, treinamento de equipes e gestão dos negócios. Em 2023, ele foi reconhecido na lista Forbes Under 30, na categoria Gastronomia, que destaca jovens profissionais em diferentes áreas. 

Atualmente, o empresário divide a rotina entre a criação gastronômica e a organização das operações. Com o crescimento do grupo, a manutenção da identidade dos cardápios depende também da preparação dos profissionais responsáveis por reproduzir as receitas. 

“Hoje, eu fico muito na questão do treinamento dos funcionários, de criar os menus. A minha vida é bem 50-50, fico um pouco nessa junção do trabalho diário, da gastronomia, mas também na gestão.” 

 

Cardápios com identidade própria 

As unidades do Sky Hall têm propostas diferentes. O Garden, localizado nos Jardins, trabalha principalmente com referências mediterrâneas, incluindo influências das culinárias italiana, francesa e espanhola.

O Terrace atende eventos corporativos, com adaptações de cardápio e serviço conforme as necessidades de cada cliente. Já o Park, inaugurado mais recentemente, foi pensado para atender o público no dia a dia. 

Segundo Casilli, os pratos são idealizados por ele, especialmente no Garden, onde o cardápio apresenta uma identidade mais definida. Entre as criações que considera marcantes está o risoto de morango com tartar de vieira, desenvolvido na época em que participou do MasterChef. 

Outro destaque é o sagu à parmegiana, servido no Garden. A receita propõe uma releitura do dadinho de tapioca com referências da gastronomia italiana. Para o cozinheiro, combinações inesperadas podem transformar ingredientes conhecidos em experiências diferentes para o cliente. 

“Para mim, o principal é a construção de sabores inusitados, novas visões daquilo que já é feito por aí. Acho que isso é muito essencial para se tornar diferenciado. E também a questão de, quando o prato chega à mesa, o cliente já começar a pensar: ‘Uau, isso é realmente muito diferente de tudo que eu já comi.’” 

A experiência gastronômica, porém, não depende apenas da receita. Apresentação, ambiente, atendimento e bebidas também influenciam a percepção do consumidor. No Sky Hall, a carta de drinques é desenvolvida pelo chefe de bar Renan Tarantino. 

 

Outros caminhos gastronômicos após o MasterChef 

O Sky Hall integra um conjunto de negócios ligados a profissionais que passaram pelo reality. Entre os exemplos está o Paparoto Cucina, de Dayse Paparoto, dedicado à cozinha italiana. Irina Cordeiro está à frente do Cuscuz da Irina, com referências à culinária nordestina, enquanto Dário Costa está associado ao Paru, projeto que explora peixes e frutos do mar. 

Há também restaurantes com foco em produtos ou propostas específicas. O Foglia Forneria, em São Paulo, trabalha com pizzas de longa fermentação e referências da tradição italiana. Em Curitiba, o Saza Cozinha aposta em uma proposta autoral e sazonal, com um menu que muda conforme as estações. 

Para quem escolhe um restaurante pela história de seu chef, a participação na televisão pode despertar a curiosidade, mas vale observar também a proposta atual da casa, o estilo do cardápio e a ocasião de consumo. Um endereço pode priorizar uma experiência gastronômica mais elaborada, enquanto outro se concentra em pratos rápidos ou em uma especialidade. 

Para a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), estabelecimentos comandados por chefs que ganharam visibilidade na televisão ajudam a aproximar o público da gastronomia e a despertar o interesse por diferentes experiências à mesa. Ao transformar a trajetória dos cozinheiros em propostas próprias, esses estabelecimentos podem atrair novos consumidores, valorizar a criatividade nos cardápios e ampliar a diversidade de opções no setor de alimentação fora do lar.